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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Briga do PCC e CV pode ter chegado ao Ceará

Mortes de detentos seriam fruto de rompimento de uma aliança entre as duas maiores facções criminosas brasileiras (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)


Os detentos das Casas de Privação Provisória de Liberdade III e IV, em Itaitinga, se amotinaram, ontem, e patrulhas do BPChoque da PM foram acionadas para controlar a confusão. Um servidor da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que os episódios estão acontecendo em vários Estados brasileiros, motivados pelo fim da trégua das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Conforme o investigador, algumas ocorrências dentro dos presídios culminaram na ruptura entre as facções. "Um detento ligado ao CV foi decapitado em uma penitenciária. Os presos do PCC brincaram com a cabeça dele como se fosse uma bola. Por conta disso, houve uma sequência de mortes em um presídio de Rondônia e a briga estourou. Existe uma orientação nacional das facções, para que os conflitos não sejam evitados".

De acordo com o policial, a pacificação de alguns bairros de Fortaleza, ocorrida no início deste ano, foi abalada com a briga entre as organizações criminosas. Segundo ele, o bairro Sapiranga (o primeiro a firmar a paz), já vem demonstrando o fim do pacto. "A Sapiranga estava totalmente calma. Em menos de uma semana já ocorreram vários tiroteios e até mortes".

Ainda segundo o servidor da SSPDS, as facções Família do Norte (FDN) e Guardiões do Estado (GDE) ainda não declararam apoio no Ceará. "O CV é mais forte aqui no Ceará, até porque era mais fácil se filiar a eles que ao PCC. Agora vão cobrar apoio dos antigos aliados. Se isto ocorrer, a situação fica muito difícil de controlar", revelou.

A Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) confirmou que registrou ocorrência de insubordinação de internos na madrugada de ontem, na CPPLs III e IV. Segundo a Pasta, agentes penitenciários e PMs fizeram intervenções para controlar a situação. A Sejus disse que investiga as razões dos conflitos e possíveis interferências na convivência dos presos.

Segurança Pública

O secretário adjunto da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), coronel Lauro Carlos Prado, disse que o Ceará não foi afetado pelo racha das facções. "Aqui ainda não sentimos isto. O BPChoque esteve nos presídios, ontem, para realizar vistorias e controlar instabilidades. A respeito da Sapiranga, não acreditamos que seja reflexo de uma briga nacional. Temos no Ceará presos do PCC e do CV, mas não temos nenhuma movimentação neste sentido deflagrada".

Fonte: Diário do Nordeste

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