Dezoito municípios cearenses se destacam no combate à dengue

Pedra Branca se inspirou em medidas adotadas pelo médico Osvaldo Cruz contra a febre amarela (Foto: Divulgação/Prefeitura de Pedra Branca

Ererê e Granjeiro ficam em regiões com características ambientais bem diferentes. Um município fica no Vale do Jaguaribe e o outro no Cariri, mas os dois tiveram em comum, em 2015, o fato de não terem nenhum caso sequer suspeito de dengue. O feito ocorre em um contexto no qual o Ceará teve mais de 55 mil confirmações da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O inseto é também vetor de zika e chikungunya.
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), outros dez municípios tiveram o registro de casos suspeitos, mas não confirmados da dengue. Enquanto outros seis só registraram casos importados da doença (só foram infectadas pessoas que viajaram a outras cidades). As estratégias desses 18 municípios para enfrentar o segundo maior surto da doença na série histórica que se iniciou em 1986 (o maior foi em 2011) variaram do uso de armadilhas artesanais até o envolvimento de estudantes na fiscalização de possíveis focos criadouros do Aedes.

Um exemplo de experiência simples, mas bem sucedida, foi adotada por Pedra Branca (a 261 km de Fortaleza). O município se inspirou em medidas adotadas pelo médico sanitarista Osvaldo Cruz, que erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro, no início do século XX. De acordo com o coordenador de Vigilância Sanitária e Endemias de Pedra Branca, Antônio Alves da Silva, foram espalhadas pelo município 160 ovitrampas (armadilhas).

Ele explica que essa armadilha consiste em um balde preto (cor que atrai o mosquito), onde se coloca uma paleta, que é tirada de forma semanal. “Não encontramos nenhum ovo do mosquito no município já há um bom tempo”. Além disso, 25 agentes visitam todos os imóveis pelo menos uma vez por mês.

Com essas medidas, Pedra Branca é um dos oito municípios cearenses com Índice de Infestação Predial (IIP) igual a zero, de acordo com o último boletim epidemiológico da Sesa. “Outra medida foi o telamento de caixas d’água com gesso ao redor, uma das maiores ajudas nesse combate, porque você elimina focos aéreos e pode se concentrar nos focos em nível do solo”, acrescenta Silva. As caixas recebem ainda o peixe beta, animal que se alimenta das larvas do Aedes.

Subnotificação
O fato de um município não ter casos registrados ou confirmados de dengue não é garantia de que a população local pode ficar sossegada. Isso porque, segundo a Sesa, ainda há muitos casos de subnotificação ou atraso no repasse de informações das secretarias municipais. A Sesa adverte que o dado mais relevante para avaliar o risco de proliferação do Aedes aegypti é o Índice de Infestação Predial (IIP), que mede a quantidade de domicílios com possíveis criadouros do mosquito.

Um caso de cidade sem casos confirmados de dengue, mas com alto IIP é Tejuçuoca. Lá, o índice chega a 4,7. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), IIPs menores que 1 são considerados toleráveis, entre 1 e 4, situação de alerta e acima de 4 já representam risco de surto.

No Ceará, apenas oito municípios têm índice zero. Dois deles (Deputado Irapuan Pinheiro e Granjeiro) estão também entre os que não têm casos confirmados. No caso de Tejuçuoca, embora não haja confirmação de casos de dengue, há um óbito relacionado à microcefalia associada ao zika vírus, que já foi confirmado pela Sesa.

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